UIVOS, LATIDOS E FÚRIA - Um blog vira lata e sarnento!
     
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HOJE TEM ESTRÉIA DO "FUCK YOU, BABY"

Texto de Mario Bortolotto

Direção de Paulo Fabiano

Elenco: Eduardo Chagas, Chico Lobo, Ligia Botelho, Fabio Esposito, Ailton Rosa, Tamayo Nazarian, Antonio Carlos Niggro e Simone Rebeque.

Teatro X - Praça Roosevelt, 124 - Consolação

Sexta e Sábado - 21h

Domingo - 20h

Tel : 3255-2829

Logo mais eu vou conferir!!!

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 17h10
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DOIS CARAS QUE EU CURTO MUITO!


A Idéia

Augusto dos Anjos


                De onde ela vem?! De que matéria bruta                                                    

Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!
Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica ...

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica.



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 14h25
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NA ÉPOCA DO CONGA

Morei na Pompéia. Bairro na zona oeste de São Paulo. Mudei pra lá em 1970. Estava com sete anos. Logo após o final da copa. Nesta época, morava no Tatuapé. Meus pais estavam separados e quando se reconciliaram, acharam melhor ir morar longe da "família". (Família = minhas tias). A gente foi morar na avenida Pompéia. No 1380. Altura da Afonso Bovero. Era um casarão, bem antigo. Na verdade, era um cortição. O primeiro piso (vamos chamar assim) era no nível da avenida. Ali moravam os donos. Descendo as escadas (tinha uma puta escadaria) tinha mais duas moradias. Na do meio, morava uma família de japoneses. Era a família da Dona Yekisuco. Lembro que os filhos dela, faziam estrelas de metal, iguais as do Ultra-Seven, e ficavam espetando-as num alvo de madeira e feito a mão. E olha que os japas eram bons pra caralho. Colocavam uma em cima da outra na palma da mão e com a outra iam arremessando contra o alvo. Na última casa, lá embaixão, era a minha. A vantagem era que todo o quintalzão de terra, com arvores, era nosso. Morava com meus pais, minhas irmãs e uma cadela vira-lata, preta e ruim pra cacete, a Tutti (toda vez que ela me mordia, eu metia os dentes na orelha dela. Só pra ela acreditar). E morar lá era uma festa. A gente passava dificuldades pra caralho. Muita falta de grana e o escambau. Mas morar lá era o canal. Com os vizinhos da direita, a Paulinha e o Reginaldo e da direita a Sueli (primeira garota que beijei), a gente fez uma casa na arvore, numa goiabeira. Feia pra caralho. Tipo barraco de favela. Mas para nós era uma mansão. Eu pegava o meu prato e ia comer na arvore. Estudávamos todos no Faria Lima, na Afonso Bovero (hoje, no lugar, está o Bradesco). A maior personalidade do bairro era a Rita lee. Ela parava a moto dela em frente ao colégio e levava a pivetada pra dar uns rolês. Era a maior maconheira do pedaço. Quando ser maconheiro significava algo. E os panos da mina?! Nem preciso falar, né? Auge do psicodelismo. De fuder! E como ela era gentil e generosa com a garotada. Figuraça! Como eu ficava hipnotizado quando a via. Nada é por acaso, não é?! Nada! A molecada cabulava a aula pra nadar nuns lagos no terreno dos Matarazzo. Uma vez meu pai me deu um flagrante. Levei um coro de cinta debaixo do chuveiro. De lascar. Mas eu vivia de rolê. Tirando o período da escola, o resto do dia era na rua. Direto! Meio malocão mesmo. Muitas vezes descalço e sem camisa. Não porque não tinha. Sempre tinha um Conga azul marinho a disposição. Mas eu curtia andar assim, malocão. A gente ia lá na Tv Tupi. Onde agora é a MTV. E assistia do auditório, o Zás-Tráz. Programa infantil da época com o Capitão Asa. Naquela padaria ao lado (tem até hoje) a gente encontrava todos os artistas da casa. E os caras viviam pagando sorvete e refrigerantes pra molecada. Principalmente a Hebe Camargo. Pode cre. Ela mesmo. Dava altas gargalhadas no pedaço. Na rua Cotoxó ficava o "Estúdio Manoel da Nobrega", do Silvio Santos. A gente ia na porta zoar com as "macacas de auditório" e tomar iogurt. Na época, iogurt era artigo de luxo. Só bacana comprava. Mas tinha uma empresa, acho que a Chamburcy, que patrocinava o programa. Já viu, né? A gente ficava perturbando o cara até ele liberar a parada. Meu, a gente devia perturbar muito, porque o cara dava bandejas inteiras pra gente. Lembro de tantas fitas. Tinha uma amigo, o Winter, que era amarradão em jogo de botão. A gente fazia times com celulóide de relógios. Pintava com guache e o goleiro era com caixa de fósforo. Nem preciso dizer que a gente rodava TODAS as relojoarias do pedaço pra chavecar uns celulóides, não é? O Winter era Sãopaulino (tempo do Pedro Rocha, Terto e Valdir Perez). Eu era Corinthiano (Essa, com certeza, foi a primeira grande decepção que o meu pai teve comigo. Era Palmeirense-Juventino, da Rua Javari!). E rolava altos campeonatos com a molecada. Direito a troféu e medalha. Nessa época eu freqüentava muito pronto-socorro. Sempre fui muito acidentado. Vivia sendo costurado. Tijolada, corte com caco de vidro, prego enferrujado no pé, mordida de cachorro (Essa foi pior. Tive que tomar 30 injeções na barriga) Enfim, era cliente forte das agulhas e afins. Minha mãe nem descabelava mais quando eu chegava em casa numa poça de sangue. Já era rotina. Na verdade, me dava um coro antes de ir pro hospital. Era de lei. Mãe espanhola é foda. (Uma vez ela derrubou a porta do banheiro pra me pegar. Pânico geral, meu!) Tudo foi muito bacana. Como já disse, a gente passou muito sufoco, muito. Mas foi du caralho esses anos que morei lá. Tenho muitas recordações. Cada um têm as suas. Sou amarradão nas minhas. Mudei da Pompéia em 76. Já estava com treze anos e a infância já estava indo pro saco. Voltei pro Tatuapé. E comecei a crescer. Com dezoito anos sai de casa. Mas essa já é uma outra história. Um dia eu conto.

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 12h22
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ENQUANTO ISSO, OS DO BEM, ESTÃO PARTINDO.

Polícia identifica corpo de diretor de teatro que estava desaparecido

da Folha Online

01/03/2005 - 16h05

Exames realizados pela Polícia Federal confirmaram na segunda-feira que o corpo encontrado no último dia 24, em Itaquaquecetuba (Grande São Paulo), pertence ao diretor de teatro peruano Lino Rojas Perez, 62, que estava desaparecido havia nove dias. O corpo estava parcialmente arbonizado. Por isso, a identificação só foi possível por meio da comparação entre as impressões digitais. Ninguém foi preso.

O diretor de teatro, Lino Perez, encontrado morto em SP

O diretor desenvolvia projetos de grupos e teatro com jovens em bairros da periferia de São Paulo há 40 anos e presidia o Instituto Pombas Urbanas que, segundo a prefeitura, trabalha na criação de um espaço cultural para a comunidade de Cidade Tiradentes (zona leste de São Paulo).

O teatrólogo peruano Lino Rojas, 62 anos, conta nesta entrevista como aplica Arte-cidadania no Brasil há 31 anos. O diretor relembra todas as suas vivências, projetos e facetas pela periferia e ruas do Centro de São Paulo, passando pelo trabalho com universitários quando foi diretor de teatro da Universidade de São Paulo. Após o trabalho acadêmico, Rojas fundou a Companhia Artística Pombas Urbanas para repassar às comunidades carentes da Zona Leste de São Paulo os ensinamentos adquiridos. No Pombas Urbanas, Lino estimula a criação de um centro cultural e de vivência, tendo como preocupação constante a inserção social do jovem. Um local aberto onde as crianças e adolescentes refletem sobre sua sociedade e adquirem conhecimento e formas de desenvolver sua criatividade.

Como você se desligou do trabalho acadêmico para dedicar toda sua experiência à população carente?

Nesse momento, mais do que nunca eu estava alinhado com a questão social brasileira. Percebi que estavam sendo criadas verdadeiras populações de menores de rua. Impressionante, pessoas que estavam vivendo nas ruas estavam tendo filhos nas ruas. Vi que todos os governos haviam criado esses meninos das metrópoles. Chamo esses garotos que vi crescer na rua de "aborígenes urbanos". Quando os conheci decidi abandonar de vez o trabalho acadêmico. Me aliei com a Igreja, grupo que atuava firmemente com os meninos que ocupavam as ruas, Dom Evaristo Arns, Leonardo Boff, Betinho e Henfil. Trabalhamos juntos e construímos uma casa no Brás, Centro da Cidade, para esses menores. Foi o primeiro abrigo para meninos. Depois, foram criadas escolas supletivas. Meu trabalho era fazer teatro com as crianças, criar os textos e produzir. Me reunia com os garotos na Praça Dom Pedro, onde havia os mocós: verdadeiros buracos, cavernas onde viviam os meninos. Eu cercava essas crianças, com a arte, e as levava para a Casa Abrigo. Esse trabalho fez com que eu decodificasse a subcultura que elas estavam criando para sobreviver, como esquentar pneu no inverno e roubar pipoca para cheirar cola no saquinho do alimento. Meu trabalho fundamental era entender aquelas criaturas para ter a oportunidade criar um texto de teatro somente para elas. Isso aconteceu, mas foi censurado pela própria Igreja. Em vista disso, totalmente impedido, novamente abandonei os meus projetos e parei de trabalhar com os menores carentes.

Como você chegou ao trabalho artístico com os meninos da Zona Leste da Cidade?

Em 1988, minha vontade de aprofundar o teatro era muito forte. Tinha de aplicar todo o meu conhecimento dos códigos, valores e costumes das pessoas de rua. Nesse tempo havia muitos office boys, como hoje existe os motoqueiros. Eram os meninos de origem nordestina com tênis nike nos pés. Tênis que compravam em 50 prestações. Passei a viver a experiência deles. Realizei uma pesquisa e constatei que 70% deles moravam na Zona Leste de São Paulo. Estavam sendo criados, então, os bolsões de pobreza, como a Cidade Tiradentes, que hoje tem 20 anos. O bairro foi fundado em 1984. Hoje é um adolescente problemático, mas cheio de belezas muito grandes, como qualquer jovem. Terminando a década de 80, fui aprofundando a minha relação com os meninos da Zona Leste. Eram meninos que trabalhavam, ajudavam na renda familiar, filhos de nordestinos que tinham uma grande necessidade de decodificar a vida e a metrópole onde viviam. Eles carregavam as histórias de seus pais no cotidiano, mas quando estavam no Centro da cidade tinham de apagar as raízes. No retorno para casa, tudo embaralhava. Eles ficavam confusos com tanto preconceito. Então eu pensava: como conservar os valores e a cultura desses adolescentes? Isso me deixava muito entusiasmado para trabalhar. Até hoje, quem constrói São Paulo é a Zona Leste. Os melhores pedreiros estão naquela área. Criei, então, o Projeto Semear Asas, incentivado pela Secretaria da Cultura do Estado. No texto que criei, analisei e diagnostiquei, pela primeira vez, o menino em situação de risco.

E o que motivou o surgimento do Projeto Pombas Urbanas?

O grupo Semear Asas acabou em 1989, quando nasceu o Pombas Urbanas. Criei um projeto consolidado, específico para agir com meninos com o perfil que já conhecia, os chamo de “jagunços de tênis nike”. Para adaptar-se aos valores da metrópole, das exigências das roupas de marca, o nike era uma imposição a esses jovens. Mas eles acabaram unindo o útil ao agradável, já que o tênis era confortável e o trabalho de office boy exigia que eles percorressem vários quilômetros por dia. Atualmente, no Pombas Urbanas, aplico todo o conhecimento de simbolismo técnico que havia adquirido. Trabalho com a Arte-cidadania desde o início do meu trabalho, sempre adaptando meus projetos com as mudanças da sociedade. Hoje, aplico a Arte-cidadania sabendo penetrar na poética de quem está marginalizado. Sei penetrar em seus costumes, em sua arte de uma maneira livre e respeitosa. E o mais importante, sei fazer dessa penetração um produto que seja útil para quem está participando. Temos por exemplo um menino que estamos assistindo que é filho de pais cegos. Com apenas 9 anos, ele faz todas as tarefas da casa, leva os pais para pedir esmolas e, quando dá, vai para a escola. Se não estabelecermos com diálogo com esse menino e com sua experiência, vamos perder muito de enriquecimento humano. Colocar no papel e representar a história dele, é ajudar a todos. A peça que estou criando servirá a pessoas como ele e às pessoas que entendem ele. Esse menino pode ser um dos grandes homens do nosso país. No Pompas Urbanas fazemos arte com os materiais da própria comunidade, como areia e entulho. Todos os componentes do grupo são de lá. Eles sentem a expressão cultural livre e incentivada. Queremos formar meninos de forma orgânica: eles fazem arte, produzem arte, vivem arte, administram arte e multiplicam arte. Esse é o conceito de Arte-cidadania.

05/11/2004 Carina Flosi


 



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 16h10
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QUE PAÍS É ESSE?!

Juiz acusado de matar vigia se entrega à Justiça no Ceará

GABRIELA MANZINI
da Folha Online

"Sob ameaças de linchamento, o juiz Pedro Percy Barbosa de Araújo, 57, acusado de ter matado o vigia José Renato Coelho Rodrigues, 32, no domingo, em um supermercado, no município de Sobral (CE), entregou-se à Justiça, na noite desta terça-feira, no quartel do Corpo de Bombeiros de Fortaleza (CE). Um grupo de pessoas acompanhou a movimentação e tentou invadir o local para linchar o juiz, mas foi impedido. O crime comoveu a sociedade cearense pois câmeras do circuito interno de vigilância da loja captaram a ação e os pedidos de clemência da vítima pouco antes de ser baleada. A gravação deve auxiliar na investigação do caso."

Ministério Público afasta promotor acusado de matar jovem no litoral de SP

da Folha Online

"O MP (Ministério Público) afastou o promotor Thales Ferri Schoedl, 26, acusado de matar um jovem e balear outro, na madrugada de 30 de dezembro do ano passado, na Riviera de São Lourenço, em Bertioga (litoral de São Paulo), por tempo indeterminado.A decisão partiu do corregedor-geral Paulo Hideo Shimizu e do procurador-geral Rodrigo Pinho e deve ser publicada amanhã no Diário Oficial do Estado.
O Conselho Superior do MP terá 60 dias para julgar sua possível exoneração. Por sorteio, a procuradora de Justiça Evelise Pedroso Teixeira Prado Vieira tornou-se a relatora do processo. Durante este período, Schoedl --que continuará sendo remunerado-- deve apresentar sua defesa."

Certas coisas, aqui neste país, não mudam mesmo. Ontem, assistindo ao noticiário na tv, vi a matéria desse juiz, covarde e psicopata e,  muito filho da puta que matou a sangue frio, pelas costas, com um tiro na nuca, um segurança de um supermercado - só porque o supermercado já havia fechado e o funcionário, obedecendo as regras do seu trabalho, disse pro assassino que ele não poderia entrar. Detalhe: tudo foi filmado pelas câmeras do supermercado. O sujeito se apresentou ontem a justiça. No tribunal de Justiça do estado. O cara tem foro privilegiado. Tem que ser julgado pelos seus pares. O que me deixou muito puto da vida foi a empáfia e soberba do canalha. Chegou em carro bacana, vidro filmado, cercado de seguranças, terno fino e óculos escuros. SEM ESTAR ALGEMADO. A discussão aqui, não é se ele vai ser preso e condenado. (tenho minhas duvidas) A questão é: o cara é um assassino frio e desequilibrado. Foi pego em flagrante. Foi filmado. Porra, por quê o animal não é algemado? Como todo e qualquer assassino preso em flagrante? Sei que a pergunta é idiota e desnecessária. Eu, você e o cão da Aline sabemos a resposta. Mesmo assim, pergunto: POR QUÊ?! Por quê o MALUF não vai em cana e devolve a nossa grana? Por quê que as "autoridades" brasileiras, inclusive o presidente, só tomam uma atitude quando matam um gringa? Por quê, agora, não há uma mobilização das "autoridades" pra que esse filho da puta seja tratado como um homicida qualquer? Vocês sabiam que o promotor que matou um garoto e feriu outro no litoral, vai responder ao "processo" em liberdade, recebeu férias e vai continuar recebendo o seu salário de uns 5 mil reais? Pois é. Disse que matou em legitima defesa. Só porque os garotos tinham "mexido" com sua mulher. Só que os dois garotos estavam desarmados e o Fredy Cruguer de plantão, descarregou um pente inteiro nos dois. Umas quinze balas. Olha, por essas e outras é que eu digo: (e foda-se quem não gostar) Ô PAISINHO DE BOSTA!!! 

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 11h08
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TÔ FALANDO!

Vira lata é foda! Olha a cadela (vira lata!) de sete anos substituindo a mãe de três tigres de três meses de idade em um zoológico em Shangai, na China.

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 15h14
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VIRA LATAS

gosto de observar

bandos de cães vira latas

perambulando pelas ruas e

já vi bandos enormes

não freqüentam bares da moda

nunca

como têm personalidade os danados

vira lata é cool

os estilos são muitos

grandes e pequenos

peludos

pelados

aleijados e sarnentos

mas todos pulguentos

todos

e trepam a céu aberto

são sinceros

gostam dos beats

são amigos

e ouvem Chet Baker às cinco da manhã

as vezes sai uma treta

uma rosnada

mas não se largam

só fumam bitucas

vejo neles a liberdade

são os mais espertos

e apaixonados

e lêem Leminski de ressaca, no sábado

saem andando pelas ruas da cidade

cães vira-latas são íntegros

verdadeiros

gostam de blues e só tomam uísque sem gelo

não são mesquinhos

escrevem o tempo todo

morrem cedo e

vivem muito!

 (Jarbas Capusso Filho)

 

 

 

 

 

 



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 13h04
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EVA E O REI

 

Clodoaldo ligou o som. Escolheu um cd do Rei. Só ouvia ele. Sempre. Colocou a faixa que mais gostava. A que o tinha tornado um fã ardoroso do Rei. Para sempre! E ouviu, com estrondoso prazer. “Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar...” E cantou junto. Só essa, ele cantava junto. Ele considerava uma heresia cantar junto com o Rei. Só se permitia nessa. Enquanto ouvia, foi fazer a sua contagem diária. Pegou a prancheta de controle e começou a contar. Tudo. Fazia a contagem duas vezes ao dia. Todo dia. Clodoaldo termina de contar, satisfeito. “...215 latas” Havia contado: 215 latas de atum, 314 de salsicha, 411 de feijoada. Estava feliz e sentia-se seguro. Havia comida suficiente para mais seis meses. Era maravilhoso saber que não precisaria sair do apartamento por um semestre inteirinho. Que alivio na alma! Clodoaldo sentou e ligou a tv. Só chiados e fantasmas. Com o controle, passou por todos os canais. Em nenhum dos 360 canais tinha programação alguma. Sentiu falta do futebol. Pensou em colocar um dvd do Rei. Mas queria economizar. Isso mesmo. Se assistisse a toda hora, poderia enjoar e pensou: “Deus me livre enjoar do Rei” Lembrou das tardes de domingo. Da jovem guarda. Da Ternurinha e do Tremendão. Das suas calças calhambeque boca de sino. E cantou: “Eu sou terrível. Vou te contar...” De repente, ouve um barulho, lá embaixo. Corre para a janela. Está no 20º andar. Pega o binóculo e, desesperado, examina o terreno. Nada. Só a praça, silenciosa, morta. Como nos últimos três anos. Nem pessoas. Nem animais. Nem mesmo os pombos do Mirisola. Aqueles pombos que cagavam escritores e dramaturgos. Nada. Já tinha passado três anos sem um misero sinal de vida na terra. Desde que soltaram o vírus. Os imbecis fizeram experiência com uma nova variação do ebola. Devastador. Terroristas argentinos conseguiram amostras. Seguidores de uma seita denominada "Maradonistas do Céu" Pregavam a superioridade da raça portenha e o tango. E não souberam guardar o vírus. Apelidaram de “Vírus Gardel” Deixaram escapar na atmosfera do planeta. Em menos de seis meses não havia sobrado um único ser vivo sobre a face da terra. Nenhum. Só ele. O Clodoaldo. Não sabia o porquê. Mas sobrevivera. Nos últimos dias, depois de anos, tinha ouvido ruídos na praça. Não sabia se era o vento. Mas ouvia. E se perguntava: “Será que sobreviveu mais alguém? Mas quem? Por quê?” Isso martelava a sua mente. Era um homem obsessivo. Lembrou de quando fazia análise. A pedido do rh da empresa. Multinacional. Tinha cargo de executivo. Ficou neurótico e desconfiava de tudo e de todos. Paranóia geral. Começo a ter surtos psicóticos.  E foi afastado. Perdeu todas as mordomias. Carro e motorista. Viagens regulares para a matriz, na Europa. Mba. Ajuda de custo. Tudo! Que merda. Mas soltaram o vírus. E tudo se acabou. Toda a raça humana estava extinta.  Só sobrou ele e, talvez, alguém que estava por trás desses ruídos na praça. Na Praça Roosevelt. Sentiu-se meio triste e colocou um cd, do Rei. E ouviu com prazer. “Os botões da blusa, da roupa que ela usava. Meio confusa, desabotoava...” Fumou um baseado. Uma bomba. Inteirinha. E viajou muito. Ligou o video game e colocou um jogo da Bomb Rider. Na verdade, nem gostava de video game. Só colocava este jogo porque estava apaixonado por ela. A Bomb Rider. Ele sentia um puta tesão pela heroína virtual. Conversava com ela e lhe fazia juras de amor. Bateu uma punheta e anotou na sua prancheta. Aquela era a 1596º vez que se masturbava por ela. Sua amada. E adormeceu, por algumas horas. Acordou com fome. Abriu uma lata de feijoada. “Será que é quarta feira? O que importa?” pensou. Esquentou e comeu na lata mesmo. Jogou a lata vazia pela janela. Tentou imaginar quem mais poderia ter sobrevivido. Uma mulher? Um homem? Talvez um cão. Isso. Um cão. “Tinha tantos cães, aqui, na Praça Roosevelt” pensou. Talvez um ator ou um travesti (A praça tinha essa coisa transex que o Ivam, o ator, falava), uma puta ou um porteiro. Vai saber. Trocou o cd. E mandou outra do Rei. “Jesus Cristo, Jesus Cristo, Jesus Cristo eu estou aqui. Olho pro céu e vejo...” E de repente, o ruído. Desta vez, bem alto.  Pegou o binóculo e correu para a janela, desesperado. Examinou. Não acreditava no que via. Uma mulher! Havia uma mulher. Linda. Morena, olhos claros e coxas grossas e firmes. Peitos enormes e estava nua. "Que gostosa" pensou. Devia ter uns vinte anos. Que mulher! Ela lambia os restos das latas que Clodoaldo jogara lá embaixo. Pelo jeito, estava faminta. Clodoaldo estava pasmo. Sem ação. Correu e pegou sua prancheta de controle. E conferiu seu estoque de latas. Suas lanternas e pilhas. Seus cds. Remédios. Bebidas. Roupas de cama.  Suas revistas e livros. Suas punhetas.Tudo! Estava apavorado. Estava sentindo aquele medo. Aquele medo que o paralisava. Que o travava. Sentiu um arrepio percorrer toda a espinha. Seu batimento cardiaco foi a milhão. Pegou um saco dentro do armário. Tinha um quilo. Cocaína  pura. Pegou no prédio da polícia federal, na Luz. Nem quis saber de fazer carreira. Pegou um tudo de uma Bic sem carga e enfiou dentro do saco. Mandou ver. Com uma puta vontade. Uau! Sentiu aquele amargo descer pela garganta e o seu rosto adormeceu na hora. E Pensou: "Caralho, esta é cem por cento!" Sua nuca estava uriçada e o seu cú fechou. De vez. Mas ela fez efeito rápido. Muito rápido. E sentiu-se mais forte. Mais poderoso e muito seguro. Sabia que esse dia chegaria. O dia do encontro. Havia se preparado. Muito. E, finalmente, ali estava.  Foi embaixo do sofá e a pegou. Havia deixado lá. Seu tesouro. Sua vida. Uma AR-15. Especial. Modelo 465-m. Com mira laser e balas de titânio. Furava parede. Correu para a janela. Apoiou a danada no peitoral. Ligou a mira. Era a bateria. E mirou. E pensou que era o Deus. Passou os últimos anos treinando. Estava craque. Pela objetiva viu a nuca da moça. Viu o ponto vermelho refletido nos seus longos cabelos cacheados. E rezou um Pai Nosso. Bem devagar. e pensou: "Afinal de contas, o que restou do sagrado?!" Deu um sorriso de satisfação e atirou. PUM! Na mosca.  A bala atravessou sua cabeça e arrancou metade do rosto. Do lado direito. A cabeça daquele mulherão quase explodiu. Caiu ainda segurando uma lata de atum. Coqueiro. E voltou aliviado para dentro. Ascendeu um cigarro e serviu-se de uma dose de Jack Daniels. Sem gelo. Como aquela atriz que freqüentava a praça gostava. A Fernanda. E colocou o cd do Rei. Com alegria. Quase eufórico. E cantou junto. Bem alto e com vontade cristã.

 

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 “Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar!”



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 13h54
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