UIVOS, LATIDOS E FÚRIA - Um blog vira lata e sarnento!
     
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TRADUZINDO

"...Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde."

Trocando em Miúdos

(Francis Hime/Chico Buarque)

Não tem jeito. Têm coisas & estados da alma que só esse cara sabe traduzir.

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 20h44
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"O Céu É Cheio de Uivos, Latidos e Fúria dos Cães da Praça Roosevelt", de Guzik, está em cartaz no Espaço dos Satyros

SERGIO SALVIA COELHO
CRÍTICO DA FOLHA

Boa interpretação não evita monotonia

Ao todo, são 14 os monólogos em cartaz nesta temporada -sinal mais de falta de recursos do que uma aparente facilidade do gênero. Além de contar com a performance do ator, o autor de monólogo, se não quiser optar por uma colcha de retalhos, deve criar uma situação dramática simples, mas densa o bastante para manter a atenção do público.

Em "O Céu É Cheio de Uivos, Latidos e Fúria dos Cães da Praça Roosevelt", Jarbas Capusso Filho enfrenta o desafio de frente, dobrando a aposta, sua personagem é uma prostituta -porta aberta para clichês. Demonstra logo não ter nenhuma angústia de influência. Sua Noemi cita textualmente a Neusa Sueli de "Navalha na Carne", de Plínio Marcos, na indagação: "Será que eu sou gente?".

À beira da loucura, esperando um cliente pontual de tara única, Noemi fala com seus fantasmas, ladeando assim a Sônia da "Valsa Número 6", de Nelson Rodrigues.

O diretor Alberto Guzik opta por ressaltar o aspecto simbólico do texto, já que as referências ao sino da igreja da Consolação ou à população da praça Roosevelt estão literalmente muito próximas do público. Assim, rompe o realismo propondo uma entonação de bolero, um universo de simulacros próximo ao de "Transex", primeira parte de uma trilogia no qual este monólogo se insere.

O cenário, concebido pela atriz Soraya Aguillera e pelo figurinista Fabiano Machado, expande em um tapete azul o quebra-cabeças de céu citado no texto: ambigüidade entre a ânsia de juntar seus pedaços de memória e a condenação a uma estabilidade aparente, anestesiantemente monótona.

Esta monotonia, no entanto, contagia o espetáculo. A direção busca alternativas para o depoimento direto ao público, concretizando os fantasmas de Noemi em figurinos pendurados. Mas, esses personagens invisíveis são pouco mais do que pretextos para que novos assuntos surjam. A luz de Lenise Pinheiro, fotógrafa da Folha, acumula idéias demais para tão curtos espaço e tempo.

A variação de tons acaba garantida pela atuação. Guzik é um bom diretor de atores e conduz Soraya Aguillera por uma partitura precisa e nuançada. Vai do grotesco ao delicado, do sensual ao furioso, em uma boa performance. Encurralada na praça Roosevelt em rituais perversos e vazios, sobrevive Noemi. Tema para um pequeno conto, como diria Tchekhov; mas que acaba diluído em uma hora de tema e variações.


Serviço:

O Céu É Cheio de Uivos, Latidos e Fúria dos Cães da Praça Roosevelt
Texto: Jarbas Capusso Filho
Direção: Alberto Guzik
Com: Soraya Aguillera
Onde: Espaço dos Satyros (pça. Franklin Roosevelt, 214, tel. 3258-6345)
Quando: qua. e qui., às 21h30; até abril
Quanto: R$ 15


Fonte: Folha de S.Paulo, edição de 16 de fevereiro de 2005.


 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 12h16
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DESCOBRIU A AMÉRICA, MEU!

Cantor Michael Jackson é hospitalizado nos EUAO cantor norte-americano Michael Jackson foi levado em caráter de urgência para um hospital em Santa Maria, na Califórnia, afirmou nesta terça-feira o juiz Rodney Melville, que preside o processo contra ele por abuso sexual de um menor, que recomeçou na última segunda."A causa da internação do cantor foi uma gripe, que o forçou a adiar até a próxima semana a seleção do júri do processo", informou Melville.O juiz disse que levará "de três a quatro dias" para Jackson se recuperar. "Não podemos continuar sem ele. Esta não é uma opção", acrescentou Melville, que adiou a seleção do júri até a próxima terça-feira. (fonte: Folha on line)

AGORA, SACA SÓ A PÉROLA QUE O ADVOGADO DE DEFESA DO ESQUISITÃO AÍ MANDOU.

Thomas Mesereau, advogado do astro pop, disse que seu cliente está "muito, muito doente".

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 10h34
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OLHA EU PERDENDO TEMPO!

Olha, nem ia escrever sobre o fato. Mas é foda. Como é que pode? O pior é que pode. Como é que as pessoas podem chegar tão fundo no poço da futilidade?! Fala a verdade: vai ser cuzão assim na casa do caralho, não é? O cara alugou um castelo pra casar. Bacana, né? Uma vez, numa entrevista, perguntaram a Ronaldinho por que ele tinha comprado uma ferrari no Brasil, já que, ele tinha uma na Itália. sabe que o bundão aí respondeu? Saca só: "Na Itália não tem graça. O barato é ter uma aqui". Lógico. Na Itália tem uma porrada de ferraris. Aqui não. Ou seja: No Brasil, terra de miseráveis, onde mais de 50 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, é BEM melhor pra ostentar, não é, cara pálida? Ok, ok. Sei que deve ter um porrão de gente falando: mas a grana é dele e ele faz o que bem entender com ela! Não é bem assim. A grana, realmente, é dele. Mas um sujeito que nem o Ronaldo, que veio da vila vintém e teve uma infância bem fodida, a gente esperava uma atitude mais bacana e autêntica. Acho que ele e a Vera Loyola foram separados ao nascer. Essa aqui, gosta de humilhar as pessoas. Garçons. Põe os caras para, de uniforme e o escambau, servir o quê? Cães. Isso mesmo. Contrata buffets pro aniversário da sua cadela. Já se imaginou de smocking e gravata borboleta, servindo cães de madames da zona sul carioca? Chamam esta raça de emergentes...

Aí, sou obrigado a fechar com o Mano Brown. Depois que é seqüestrado, né...?

Olha, na boa. Todo mundo fala mal do Maradona. Pelo menos, ele é autêntico. Fala o que pensa e faz o que quer. Se ele faz algum mal, só faz à ele mesmo. É ou não é? Se o  cara gosta de meter o nariz onde não deve, fazer o quê...?

 

Enquanto isso...O mundo vai perdendo figuras de primeiro time. Semana passada quem se mandou foi ele: Arthur Miller. Um dos maiores dramaturgos da história. Escreveu obras como: A Morte do Caixeiro Viajante e Bruxas de Salém. E se é pra falar de casamento... bem, o cara foi casado com ela. Cinco anos. Falei?

(Jarbas Capusso Filho)


 

 



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 14h24
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POCKETS CENAS COM PEDRO E GABRIEL

CENA I

Levo os meninos ao Masp. O mais velho, o Pedro, é amarradão. Já sabe distinguir um Monet de um Reimbrant. Já o menor, o Gabriel, nem tanto. Gosta mesmo é de Mortal Kombat III. Até vai, mas vai chiando.
- Ah, pai. Pô, eu não quero ir no museu. Eu quero ir no mac donalds!
O maior é sem paciência quando se trata do irmão.
- Tá vendo, pai. Esse moleque é o maior mala. Não dá pra trazer ele não. Devia ter deixado ele em casa.
Nessas horas, crise no oriente médio é pinto! Baixa um Henry Kinssinger, de lado.
- É o seguinte: A gente dá um rolê no Masp e depois vai pro mac donalds. Tá limpo?
Os dois dão de ombros, no famoso "fazer o quê, né?" Compramos os ingressos e entramos no elevador. Ao chegar no 3º andar, acervo principal, dando de cara com Monets & Renoirs, trocentas mil telas, o maior, excitado, sai a milhão. O menor... bem, o menor dá dois passos, sai e fica parado, na porta do elevador. Trava. De boca aberta. Queixo caído. Parece não acreditar no quê vê. Pergunto otimista:
- Bacana... né?
Nem me ouve. Ele ainda não acreditando. Depois de alguns instantes, levanta o braço direito e apontando para todo o imeeeeenso salão, manda:
- Pô, pai! A gente vai ter que ver tudo isso daí?!

CENA II

Os dois estão no quarto. Ouvem rock no último. Raimundos. Ainda com a formação principal. Com o Rodolfo nos vocais. Não sei qual era a música. Mas o refrão era assim:
- LI-BER-DA-DE DE EX-PRES-SÃO! LI-BER-DA-DE DE EX-PRES-SÃO!
Só o Pedro acompanha, canta junto, aos berros. O Gabriel se entusiasma e manda ver:
- LI-BER-DA-DE DE EX-PLES-SÃO! LI-BER-DA-DE DE EX-PLES-SÃO!
O maior, sem a natural e resistente falta de paciência com o irmão menor:
- Porra, moleque! Cala a boca, meu!

CENA III

Os dois estão no carro. Falam de filmes de terror. O Pedro conta em detalhes como o morto-vivo arranca as tripas da vitima pela boca.
- Pó, pai. O zumbi pegou o cara e começou a comer ele vivo. Mordeu logo na cabeça. Tirou metade do cérebro. Só numa dentada. Pai, sabia que zumbi tem que se alimentar de cérebros?
Eu, na minha imensa ignorância quanto ao tema, mando:
- Puxa... É mesmo?!
O Gabriel , como sempre, fica na espreita, observando, esperando uma brecha. Já tá esperto. No vacilo do Pedro, manda:
- É pai. Eles pegam os carinhas na praia.
O maior, dentro de seu enorme conhecimento quanto ao tema. No alto de sua sabedoria sobre mortos-vivo e zumbis:
- Pó, moleque. Você é burro mesmo, hem?
O menor, sem entender:
- Por quê...?
O maior, cheio de certeza:
- Larga a mão de ser tonto, moleque. Zumbi só ataca à noite! Por quê?... hum!

CENA IV

Fomos na Bienal. O Gabriel naquele estado. Sentado no banco de trás, braços cruzados e cara de poucos amigos. Quando entramos no prédio, bem, a cena do Masp fica muito aquém do que vi! O garoto nem chorar quis. Bateu apatia total. Só se entusiasmou com o fusca pendurado e girando. Começamos a andar. Tenho de reconhecer, a Bienal é grande até pra adultos. Depois de meia hora de caminhada, entramos numa instalação audiovisual. Há almofadões pra sentar. O Gabriel, ligeiro, se joga no primeiro que vê. de braços abertos, olhos vidrados, tipo naufrago quando chega na areia, no melhor estilo novelão mexicano, manda:

- Pai, pelo amor de deus! Vamos pro mac donalds... Eu não... vou... agüentar...

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 09h26
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