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Soraya Aguillera interpreta O Céu É Cheio de Uivos, Latidos e Fúria dos Cães
da Praça Roosevelt

Beth Néspoli

São Paulo, 26 de janeiro de 2005
O título chama a atenção pela extensão, O Céu É Cheio de Uivos, Latidos e
Fúria dos Cães da Praça Roosevelt, e contrasta com a proposta de
concentração dramática desse solo de 50 minutos que estréia hoje no Teatro
dos Satyros. Nesse texto de Jarbas Capusso Filho, a atriz Soraya Aguillera
interpreta uma prostituta que se vê diante de uma difícil decisão. O
diretor, Alberto Guzik, optou por evitar a forma mais recorrente nos
monólogos, a relação direta entre personagem e público. Em sua concepção, o
espectador tem o papel do observador 'invisível' do impasse da personagem.
"Há momentos que fico de costas para a platéia. A idéia é que estou mesmo
sozinha", diz Soraya.
Evidentemente não é um mar de rosas a vida de uma prostituta da Praça
Roosevelt, mas a intenção do autor não foi a de traçar o drama da mulher
'perdida'. O monólogo não tem o caráter de balanço de vida. "Ela em nenhum
momento é tratada de forma pejorativa", diz Soraya. Como qualquer ser
humano, Noemi, é o seu nome, tinha algumas opções de trabalho. Como qualquer
mulher pobre, as perspectivas não eram muito promissoras. Mas, dentro dessas
limitações, pode se dizer que ela fez uma 'escolha'.
Sua angústia é de outra ordem. "No momento em que a peça começa, ela se
prepara para receber um cliente que chegará pontualmente às 6 horas da
tarde, como sempre. O problema é que ela agora tem 40 anos e não pode fazer
muitas escolhas. Ele paga bem. Mas faz algo extremamente humilhante para
ela", antecipa Soraya. "O texto nos propõe o retrato de uma loucura urbana,
contemporânea, da qual todos partilhamos. De certa forma, nós somos todos
Noemis, à espera da próxima humilhação", afirma Guzik.

Serviço

O Céu É Cheio de Uivos, Latidos e Fúria dos Cães da Praça Roosevelt. De
Jarbas Capusso Filho. Dir. Alberto Guzik. 50 min. 14 anos. Espaço dos
Satyros (70 lug.). Pça. Roosevelt, 214, Consolação, 3258-6345. 4.ª e 5.ª,
21h30. R$ 15.



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 11h13
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São Paulo, Quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

Satyros investiga fantasmas ocultos

JANAINA FIDALGO
da Folha de S. Paulo

Com direção de Alberto Guzik, "O Céu É Cheio de Uivos, Latidos e Fúria dos Cães da Praça Roosevelt"
Nascido como uma leitura dramática exibida durante as Satyrianas -78 horas de vigília cultural da Companhia de Teatro Os Satyros-, "O Céu É Cheio de Uivos, Latidos e Fúria dos Cães da Praça Roosevelt" volta ao espaço: desta vez como uma montagem.

O dramaturgo e crítico teatral Alberto Guzik, diretor do espetáculo, atribui a encenação da peça à contundência e ao ímpeto do texto de Jarbas Capusso Filho.
"O resultado foi muito legal. Então, logo depois da leitura, a Soraya [Aguillera, protagonista do monólogo] pensou em montar. O Ivam [Cabral, um dos fundadores do grupo] acolheu a montagem como uma produção dos Satyros. Como eu tinha dirigido a leitura, seria natural continuar na função", diz Guzik, que dirigiu em 2004 "O Encontro das Águas".

Como em outras peças do Satyros, a praça Roosevelt revela-se como cenário e inesgotável fonte de pesquisa e inspiração.

Em "O Céu É Cheio de Uivos, Latidos e Fúria... ", Capusso Filho constrói uma personagem que escapa aos estereótipos que povoam o imaginário popular. Noemi é prostituta por vocação. Não "caiu na vida" por uma conjuntura socioeconômica.
No tempo encenado, Noemi está em processo de envelhecimento, em decadência. Convive com os fantasmas do passado e se vê atormentada pela ação destrutiva de um assíduo cliente das segundas-feiras à tarde.

"Ela fica humilhada, indignada. E só a perspectiva da chegada do cliente a transtorna", diz Guzik.

Para escapar do risco de criar um monodrama artificial, o diretor lança mão da presença constante dos fantasmas.

"[O monólogo] é um gênero muito esquisito, com um personagem só falando. Fala para ninguém, para o ar. Isso é ruim porque fica pouco consistente. Como os fantasmas estão sempre com ela, tivemos a idéia de fazer com que travasse um diálogo com eles", conta Guzik.

A "atuação" dessas figuras invisíveis no espetáculo, com iluminação da fotógrafa da Folha Lenise Pinheiro, vai além das conversas. Ganham dimensão com roupas penduradas no cenário assinado por Fabiano Machado.

O CÉU É CHEIO DE UIVOS, LATIDOS E FÚRIA DOS CÃES DA PRAÇA ROOSEVELT. De: Jarbas Capusso Filho. Direção: Alberto Guzik. Com: Soraya Aguillera. Onde: Espaço dos Satyros (pça. Roosevelt, 214, Consolação, tel. 3258-6345). Quando: qua. e qui., às 21h30; até março. Quanto: R$ 15.

Fonte: Folha de S. Paulo, 26 de Janeiro de 2005.


 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 16h42
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São Paulo, terça-feira, 08 de fevereiro de 2005

Da alcova à luz

Fernando Donasci/Folha Imagem
Integrantes de companhias de artes cênicas que atuam em oito teatros na região da praça Roosevelt, área central de São Paulo

Presença de teatros alternativos e grupos de artes cênicas na praça Roosevelt estimula renascimento cultural e revitalização da região

VALMIR SANTOS
DA REPORTAGEM LOCAL

JANAINA FIDALGO
DA REDAÇÃO

Mais do que o endereço e a atividade desenvolvida, oito teatros instalados no centro de São Paulo compartilham o mérito do renascimento e a "retomada das calçadas" de uma região que tem um histórico de degradação.
A presença de companhias teatrais e de um espaço cenográfico no polígono formado pela praça Roosevelt e pelas ruas Rego Freitas e Dr. Teodoro Baima aos poucos desfaz a imagem negativa deste eixo -que nos anos 60 viveu seus dias de glória- e repatria quem um dia se exilou por medo.

Motivo de fuga de moradores, comerciantes e freqüentadores, a situação de deterioração foi o que impeliu os fundadores do grupo Os Satyros, Ivam Cabral, 39, e Rodolfo García Vázquez, 42, a ocuparem o número 214 da Roosevelt, onde estão desde 2000.
"A praça era um dos focos por causa da degradação. Tínhamos o desafio de revitalizá-la. Até por causa da característica do nosso trabalho", conta Cabral. "Quando chegamos, era um espaço inabitável, cheio de traficantes, prostitutas e travestis. A gente foi inserindo esse povo. Não nos interessava tirá-los daqui, pelo contrário, queríamos que participassem."
Foi o que aconteceu. Uma das produções atuais do Satyros é "Transex", cujo elenco inclui dois transexuais. Além disso, a independência nas linguagens e temas e a perseverança na busca permanente de apoio para aluguel e manutenção são algumas das características da atual geração de artistas que ocupam a região.

Um bom reflexo dessa relação é quando a realidade fomenta a dramaturgia. A peça "A Vida na Praça Roosevelt", da alemã Dea Loher, encenada pelo grupo Thalia Theater, de Hamburgo (que ganhará versão dos Satyros neste ano), fala de seres deslocados: filhos de drogados, cantores decadentes. O monólogo "O Céu É Cheio de Uivos, Latidos e Fúria dos Cães da Praça Roosevelt", de Jarbas Capusso Filho, apresenta uma prostituta que repassa sua história enquanto aguarda um cliente que sempre a humilha.

Vizinhos do Satyros, cuja sede está aberta a outros grupos, o que atualmente preenche as noites de segunda a domingo, com seis peças em cartaz, estão o Studio 184 (1997), o Teatro X (2002) e o Recriarte Bijou (2003).
"É a revitalização das pessoas que freqüentam a praça, não de uma passagem de tinta", diz a atriz e produtora Fernanda D'Umbra, 33, do Cemitério de Automóveis, grupo que chega a lotar os 70 lugares do Espaço dos Satyros com "O Que Restou do Sagrado", nos dias mais "alternativos" -segundas e terças-feiras.



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 16h14
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Espetáculos

Edson D’Santana e Willams Aris em cena do espetáculo
Foto Divulgação

Por Jeferson Del Rios 

A Verdadeira História do Astronauta, a Sua Mãe e o Carrasco
Texto de Jarbas Capusso Filho volta a discutir as histórias privadas da ditadura militar

A discussão sobre o regime militar vem ganhando espaço cada vez maior na mídia e nos lançamentos editoriais. O tema não se esgotou, e nem sempre o teatro pôde ou soube tratar dele. Mas tenta mais uma vez com A Verdadeira História do Astronauta, a Sua Mãe e o Carrasco, de Jarbas Capusso Filho, com direção de Waterloo Gregório. A peça mostra um estudante preso pela ditadura militar brasileira que se defronta com seu carrasco. Sua mãe busca o filho desaparecido. O enredo sombrio é desvendado por uma jornalista. No elenco, Irene Stefânia, Edson D’Santana, Willams Aris, entre outros.

Preste atenção em como Capusso Filho é sutil ao lidar com um tema pesado, mas não vacila em usar o codinome bem conhecido (coronel Ubirajara) de uma figura da repressão em São Paulo.





Serviço
Centro Cultural São Paulo — r. Vergueiro, 1.000, Paraíso, São Paulo, SP, tel. 0++/11/3277-3611. Até 23/2/05. Terça e quarta, às 21h. R$ 12.


 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 13h54
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Michel Fernandes, do Aplauso Brasil, escreveu um artigo sobre dramaturgia e faz "apenas algumas breves notificações e ponderações sobre textos de autores nacionais" e comenta o meu trabalho assim:
 

Jarbas Capusso Filho, que surpreende no texto inédito “A Noite em Que Blanche Dubois Chorou Sobre Minha Pobre Alma”, exatamente pelo despojamento com o real, em “A Verdadeira História do Astronauta Sua Mãe e o Carrasco” constrói um núcleo de personagens sem profundidade cuja função é retratar, sem vida dramática, os abusos dos porões da ditadura militar. Em “O Céu é Cheio de Uivos, Latidos e Fúria dos Cães da Praça Roosevelt”, a direção, interpretação, cenografia, iluminação, trilha musical, apagam um pouco o caráter ultrapassado da peça, outro lugar-comum sobre a vida de uma prostituta convivendo com fantasmas já vistos em outras peças protagonizadas por prostitutas.

 

Porra, Michel, ainda bem que a equipe de O Céu... salvou o espetáculo. Ufa! Agora já saquei o lance. Toda vez que escrever um texto ultrapassado, vou chamar eles, não é??!!

 

(Jarbas Capusso Filho)

 





 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 10h23
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