UIVOS, LATIDOS E FÚRIA - Um blog vira lata e sarnento!
     
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HOJE TÁ FODA!

 

Às vezes, andando pela cidade. Meio sem rumo. O céu nublado. Final de tarde. Sem ninguém por perto. Tudo fica grande e distante. As pessoas, todas estranhas e mudas. A mente cheia de nada. Faço um tremendo esforço e tento lembrar. Folheio o passado e só me atenho às figuras. Calçadas infinitas e eternas. Penso em tomar um café e ler um jornal. Melhor não parar de andar. Caminhar é fundamental pra manter a atenção e a vigília. Talvez seja melhor apertar o passo e sair dando esbarrões. E pisar no calcanhar dessas pessoas lerdas e anêmicas.Tento prestar atenção em mim. No que acontece. Comigo mesmo. Penso se não é hora de enfiar o pé na porta e mandar tudo à merda. Entrar e quebrar tudo a minha volta. E depois, só pra garantir, pôr fogo em tudo. Talvez eu até sorria e pense que a vida é bacana e razoável com minha tênue e querida insanidade. E as pessoas não sejam tão estúpidas e medíocres, afinal de contas. Mas que bosta! A quem estou tentando enganar? Talvez se sentasse e escrevesse uma poesia que começasse assim: fodeu tudo! Não! Melhor entrar numa igreja, subir no púlpito e dizer que estou de mal humor e meio depressivo. Que hoje o mundo tá uma bosta e a esse céu nublado é a imagem perfeita da minha alma. Que não vejo um rosto conhecido e confiável. Que não tenho a mínima intenção de ser afável e simpático. Que gostaria de sair na porrada com o primeiro idiota que cruzasse o meu caminho. E que, todos ali dentro, já tinham lugar garantido no inferno. Descer, beijar a noiva e gritar pra todo mundo ouvir que ela não é mais cabaço e que já pegou gonorréia transando com três gringos em Salvador. Que ela tá fodida. Que dentro de seis meses, o marido dela vai estar enfiado numa zona, comendo a puta mais puta da cidade. E na saída, chutar o traseiro do padre pedófilo. E aí, o próprio demônio poderia rir da minha cara e me convidar prum palitinho. Valendo o resto da tarde, ou da vida. Do que me resta. E talvez eu pedisse uma carteirinha de sócio remido. Que se foda. O mundo é assim mesmo. Sempre foi e ninguém vai mudar porra nenhuma. E pergunto ao Pai o que fazer. Ele não responde. Está ocupado, ouvindo Sex Pistols e enterrando minas. E depois de muitos dias, me diga: “A única e insana saída, é mudar a si mesmo”. E o cara cai numa puta gargalhada lisérgica. Puta que o pariu! Tem tarefinha mais simples não, Pai? Volto pra casa e digo boa noite pro travesti no elevador. Ela está com barba por fazer. Lembro da minha mãe resmungando: “esse mundo está perdido, meu filho”  Aí, digo o texto de toda a minha vida: Eu também, mãe! Ela, o travesti, me lembra Michel Caine em Vestida Para Matar. Consigo rir e imagino o elevador cheio de cérebros. Cérebros secos e arreganhados pelo sol que nunca mais vai aparecer. Cérebros dessa gente que não tem nada, absolutamente nada, a dizer! Acho que o negócio é dormir. Embaixo da cama...

 

Hoje eu não tô bom!

 

 

(Jarbas Capusso Filho

 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 21h26
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SABE ONDE MORA A GENEROSIDADE?

 - Cara, e se a gente pintasse toda a praça de azul?

 - Que tudo! Vamos pintar sim.

- Tem certeza...?

 - Se joga meu. Enlouquece, carinha!

Quem freqüenta o numero 214 da praça Roosevelt, pode ter presenciado um diálogo parecido ou, com muita sorte, ter participado de um. Esse "Enlouquece, carinha" é texto do Ivam Cabral, quase marca registrada. Pelo Ivam, todas as propostas teatrais, artísticas & afins apresentadas à ele, seriam levadas a cabo. Com certeza! O Ivam é assim. Está sempre disponível pruma nova empreitada e, se possível, bem louca. Detalhe: ele nem precisa estar no projeto. Basta gostar da idéia. O grande lance é que o Ivam gosta de ajudar todo mundo. O Ivam, não. O Ivam e o Rodollfo. O Rodolfo já tem outro bordão. "Ah, bacana. O Ivam falou é...? Bom, vamos ver" ou esse aqui, quando o Ivam põe seus planos em prática: "Nossa, isso aqui tá uma loucura. Não tô entendendo mais nada". Essa é a dupla! Se a generosidade mora em algum lugar, o endereço é este: PRAÇA ROOSEVELT, 214 – TEATRO DOS SATYROS! Conheci essa dupla em 2001. Já naquele ano procurei os dois pra tentar realizar um ciclo de leituras da APART. O Ivam, sem me conhecer e nem nunca ter ouvida falar no meu nome, me atendeu com toda a atenção do mundo. Estava enlouquecido com uma produção e, mesmo assim, ficou lá, me ouvindo e tentando arranjar uma forma de nos ajudar. Desde então, não vi um comportamento desses dois que não fosse esse. Estão sempre preocupados com as pessoas, a praça, a comunidade. Não precisa ser do meio teatral pra receber uma força desses dois. Eles são antenados e desencanados. A própria presença do Satyros na Praça já é uma puta ajuda pra comunidade. Graças a chegada deles é que a Praça saiu de uma fase decadente e hoje é um dos lugares mais bacanas de São Paulo. É isso. Poderia ficar aqui, horas e horas e, escrever um porrão de atitudes e ações dessas caras. Mas escrevi essa parada como forma de agradecer tudo que eles fizeram, fazem e, com certeza, ainda irão fazer por mim, por você e por nós. Não me venham com essa de Batman e Robin, Robert Plant e Jimmy Page,... Ginger Rogers e Fred Astaire, Shazam e Xerife...

A parada é: Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez!

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 11h48
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HOJE TEM ESTRÉIA NO SATYROS!

Ficha Técnica

Assist. de Direção: Ricardo SocalschI

Trilha Sonora: Ivam Cabral

Iluminação: Lenise Pinheiro

Cenário: Soraya Aguillera

Figurino: Fabiano Machado

Design Gráfico: Laerte Késsimos

Produção: Companhia de Teatro Os Satyros

Faixa Etária: 14 anos

Gênero: Drama

Duração: 50 minutos

Estréia: 26/01/2005

Quartas e Quintas às 21:30 hs

Local: Espaço dos Satyros (Pça. Roosevelt, 214 – 3258 6345)

Capacidade: 80 lugares

Ingressos: R$ 15,00



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 09h52
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VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?! - PARTE I

Esse texto escrevi para o projeto VELÓRIO5, que ainda conta com: Mario Bortolotto, Mario Viana, Ivam Cabral e Sergio Roveri. Se tudo der certo, este semestre a coisa desembaça e o espetáculo sai do papel. Mas como este blog tem essa porra de limite de cacacteres, tenho que retalhar o texto. Vai em quatro partes. E nem sei em quantos dias.

Lilah – Mulher de 40 anos. Faz o tipo meio perua e gostosona

Escobar – Homem de 45 anos. Advogado e pilantra (é só uma coincidência)

Valquiria – Mulher de 42 anos. Professora, solteira e no maior atraso.

Tiago – Garotão, 20 anos. Saradão, bombado e obtuso!

Odara - Mulher, morta, 22 anos. Cluber, cabelo verde e trocentos piercings na cara!

PALCO VAZIO. VELÓRIO DE ODARA. SÓ O CAIXÃO COM ODARA EM CENA. ENTRAM LILAH E ESCOBAR. LILAH CHEGA PERTO DO CAIXÃO E LEVA UM SUSTO, INDIGNADA.

 LILAH – Ai, eu não acredito! Eu não acredito!!

ESCOBAR – O que foi, meu amor!? CHEGA PERTO DO CAIXÃO PARA OLHAR - Cacete!

LILAH – Olha o que o idiota do seu sobrinho fez com a Odara. Eu sabia que o Tiago ia fazer cagada. Puta que o pariu!

ESCOBAR – Ê, você não vai armar um barraco, vai?

LILAH – Ah, tá bom! Tava demorando. Quer dizer que o troglodita do seu sobrinho estraçalha com o crânio da Odara e eu é que sou barraqueira? Faça-me o favor.

ESCOBAR - CHEGA PERTO DO CAIXÃO PARA EXAMINAR COM CUIDADO – Ah, até que não está tão ruim...

LILAH – CHEGA PERTO DO CAIXÃO - Não está?! Não está?! PAUSA. OLHA COM ATENÇÃO, COMO QUEM DESCOBRIU ALGO, MAS É DIFÍCIL DE ACREDITAR – Escobar, é impressão minha ou sumiu o olho direito da Odara?

ESCOBAR – EXAMINA COM ATENÇÃO, COM DIFICULDADE – Caramba! O olho dela sumiu!!

LILAH – Não, isso já é passar um pouquinho do limite! Cadê o olho da Odara? Escobar, como é que a gente vai enterrar a menina sem um olho, me diz? Que troço chato!!

ESCOBAR – O que será que o Tiaguinho aprontou?

LILAH – Tiaguinho o escambaú! Aquilo é um retardado. Desculpe-me, Escobar. Sei que você gosta muito dele, mas o cara é muito asno! PAUSA - Esperar o quê de um sujeito que, até a pouco tempo, comia arroz integral e fibra de soja?! Argh!!

ESCOBAR – Não precisa falar assim do menino... Além do mais, ele está recuperado... ENTRA TIAGO

TIAGO – DESPREOCUPADO, SEM SENTIR O CLIMA PESADO – E aí, tio, tudo joinha?

ESCOBAR – Tudo...

TIAGO – Oi, tia, tudo bem?

LILAH – COM RAIVA CONTIDA - Eu já falei mais de mil vezes: eu não sou sua tia! Eu namoro com o seu tio.

TIAGO – Tá... tia, não tá mais aqui quem falou. PAUSA. E aí? Gostaram do serviço? LILAH VAI PRA CIMA DO TIAGO COM AR AMEAÇADOR, ESCOBAR SE ADIANTA.

ESCOBAR – Tiaguinho, meu filho, o que aconteceu com a Odara?

TIAGO – Como o que aconteceu? Vocês não pediram pra eu dar um jeito nela? Taí, na horizontal e bem gelada, gostaram?

LILAH – IRRITADA – Escuta aqui, ô natureba triássico. A gente falou pra você fazer um serviço limpo, LIGHT. O que significa isso? APONTA PARA O CAIXÃO

TIAGO – Não encontrei veneno e... bem. Eu tinha um aponto com uma mina, sabe. Não queria me atrasar. A gente tava em casa... meu, a Odara tava bem lôca. Chegava a babar. Ela ouvia um puta bate estaca, daqueles nervoso, sabe como é? Meu, aquilo foi me dando um estado de nervo, cumpadre...

ESCOBAR – Tá, tá, mas o que aconteceu?

TIAGO – Ela começou a passar mal, ficou azul, azul e depois amarela... e depois branca... Aí, voltou a ficar azul... Meu, ela parecia um luminoso de puteiro.

LILAH – Ô herbívoro, dá pra concluir?!

CONTINUA LOGO MAIS...       

            (Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 10h08
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