UIVOS, LATIDOS E FÚRIA - Um blog vira lata e sarnento!
     
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CLICADO NA PRAÇA ROOSEVELT

Minha irmã, Joseti Capusso (a Teca), que é fotografa e clica muito, resolveu fazer umas fotos minhas na praça. As fotos ficaram bem bacanas e resolvi colocar algumas no blog. Ela teve o maior trabalho pra fazer as fotos. Ela diz que sou muito duro. Fazer o quê? Nada é por acaso e cada macaco no seu galho, não é? Assim mesmo, gostei da parada. É isso.

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 20h50
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REFLEXÕES AÉREAS COM PENÉLOPE

 

Eles estão na fila do check in. Fila grande e devagar. Vôo internacional. Destino: Índia.

     -   Longe pra cacete. Pensou ele.

Ela o cheira várias vezes. Com vontade. Na altura da orelha. Causando um arrepio que desce da sua nuca indo parar no outro extremo da alma.

-         O que você tá fazendo?

-         Te cheirando. Quero guardar bem o teu cheiro.

Ela sorri. Ele desconcerta. A fila anda em doses homeopaticas. Nunca gostou tanto assim de uma fila.

-         Que seja eterna enquanto dure. (Pensou ele)

Despacham a bagagem. Ainda falta uma hora e meia para o embarque. Decidem andar pelo aeroporto. Param para um café. Outra fila.

-         Que bom. Pensa ele.

Abraça ela demoradamente. Como se fosse o primeiro. Como se fosse o último.

-         Se cuida. Disse ela.

Ele sentia a sua pele, seu jeito & o seu cheiro.  De como podia gostar tanto.

     -  Como é linda. Pensou. 

Beijaram-se. Muito. Ele lembrou de festa de aniversário. De brigadeiro. E sentiu como era bom beija-la. Ele não sabia voar. Mas sabia exatamente como era a sensação. Sentia toda vez que a beijava.

-         Você tá tranqüilo? Disse ela.

-         Estou...

Na verdade, estava. A única coisa que o incomodava, PROFUNDAMENTE era não saber parar o tempo. Naquele instante. Naquele beijo. Eternamente!

 

(Jarbas Capusso Filho)

 



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 20h28
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FOGO! FOGO!

Acordei com as batidas na porta. Olhei pro relógio 5:35... da madruga. Ouço a voz da porteira:

- Seu Jarbas! Seu jarbas!

Pensei com meu botões ainda em estado REM "Que caralho tá acontecendo?" Ela, insistente:

- Seu Jarbas! Seu Jarbas!

Sem chance. Pus uma bermuda e fui abrir a porta. Dei de cara com uma porteira (até hoje não sei o nome dela) descabelada:

- Seu Jarbas, o prédio tá pegando fogo!

Sabe como é, quando a gente ouve uma parada dessas, num estado quase lisérgico,  demora pra captar o espirito da coisa.

- Como é que é?

- O prédio tá pegando fogo e todo mundo tem que descer.

Só então percebi o cheiro de queimado. E as pessoas descendo as escadas meio que desorientadas. Bem, eu me considero um cara calmo e preguiçoso (na verdade, mais preguiçoso do que calmo) e por conta disso, não tava muito afim de sair da cama não. E perguntei:

- Onde tá pegando fogo?

- No apartamento 111, no 11º andar!

- Tem algum ferido?

- Não. A mulher morava sozinha e já desceu.

Bom, sem vitimas. Já não é uma tragédia, pensei. Eu moro no 2º. E pelo pouco que sei de incêndios (esse foi o meu primeiro, sou leigo) a tendência é da parada subir e não descer, não é? E mandei:

- Acho que prefiro ficar aqui mesmo.

- Como ficar aqui?

- Meu, são cinco e meia da matina. Tá garoando. O que eu vou fazer lá embaixo?

- Mas é um incêndio!

- Num apartamento no 11º. Eu estou no 2º. Prefiro ficar.

- Mas seu Jarbas. Os bombeiros vão chegar e todo mundo tem que descer.

Pois é. Esqueci dos bombeiros. Não tinha jeito. O negócio é por uma camiseta e descer. Porra! Merda! CARALHO! Me vesti e desci, mantendo o bom humor... Tava todo mundo do outro lado da rua, na calçada do Planeta’s. Um paredão de moradores. Foi a primeira vez que vi os moradores do meu prédio. E foi uma puta visão. Gays, acho que dois travestis, umas garotas de programa, evangélicos e, pelo menos, uns dois junckies. É, meu irmão. (Essa é a praça Roosevelt que, na teoria do Mirisola, é assim: Cada cagada que um pombo dá, brotam dez escritores e dramaturgos!) Todos ali, descabelados e insones, olhando pro alto a espera do Superman. Os bombeiros foram um show a parte. Demoraram TRINTA minutos pra chegar. TRINTA. O apartamento da dona torrou. Quando os caras chegaram, nem fogo tinha mais. Mas, tinha viatura suficiente pra transformar o inferno na Av. aricanduva quando chove! Bem, os caras chegaram, subiram, fizeram a tal da operação rescaldo e se mandaram. Subi, coloquei os meus protetores auriculares e dormi mais uma cara.

Que bosta! Nem a escada magirus eles usaram!

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 10h44
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Que porra é essa?!

Acabei de vir do banco. Tenho conta numa agência na Heitor Penteado. Na Pompéia. sabe aquele espaço onde ficam os caixas eletrônicos? Os famosos "24 horas?" Pois bem. Sabe o que tinha lá, hoje? Um cara tocando um desses teclados. Desses que fazem mil sons, bateria, o diabo! Será que eu sou tão chato assim que não saquei a proposta do banco? Que porra é essa?! Relaxante. Anti-estresse. Então dá um baseado pra cada cliente que entra ou uma cartela de Prozac. Mais jogo, não é?! Agora me explica aí: Isso é lá lugar de botar um cara tocando "Feelings?" É muito insólito, meu! Onde mais vão botar esses nêgos? Na delegacia? Imagina a cena: O tira enchendo o vagabundo de porrada e o cara lá, tocando um new age. O Tira espumando: "Porra meu, toca Travessia!" Vou te contar. Qualquer dia desses vou entrar num velório e vai ter alguém tocando rumba com maracas e xilofone. Nada contra o trampo do cara. Se ele tá afim de pagar esse mico. Será que eles não sacam que não é uma musiquinha dessas que vai aliviar o estresse do povão? Que o buraco é mais embaixo? Por acaso aqueles milhares de carnívoros que freqüentam uma churrascaria estão interessados em ouvir uma porra dessas? Meu, o cara tá é afim de saber onde tá o corno do garçon que não passa com a picanha! Se é pra alegrar, põe uns trocados a mais na conta da gente.

 Não é?!

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 14h11
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RELAX

Claudomiro. Este era o seu nome. Estava com sessenta e três anos. Todos eles vividos no interior do estado. Era a primeira vez que vinha a São Paulo. Veio para ficar dois dias. Claudomiro estava hospedado num hotelzinho fuleiiro. "México 70". Na Rua Guaianazes. Pôs a sua melhor roupa. A roupa dos domingos. A roupa de ir à igreja. E desceu. Saiu andando pelas ruas de São Paulo. Admirado e assustado. Saiu na Av. São João. O endereço que o seu amigo, o Juca, tinha dado: Rua Augusta, 326. Era o endereço de um relax. E ele nem sabia o que era um relax. "É um puteiro, meu amigo. Um puteiro!" disse o Juca. Estava nervoso e excitado. Nunca tinha entrado num puteiro. Era um homem religioso toda a vida. O máximo que fez foi brincar com umas cabras, quando era garoto. "Lá só tem menininha. Tudo de primeira" disse o Juca. Ele atravessou a Av. São João e entrou na Rua Aurora e viu o Ed. Andraus. "Nossa! Foi esse que pegou fogo e matou toda àquela gente!" pensou. Foi até o fim e saiu na Praça da Republica. Quando viu o coreto, lembrou da sua cidade. Da sua gente. Daquela vida calma e tranqüila. Pensou nas suas filhas. E nos seus netos. Duas já tinham casado. A Cleuza e a Vilma. A caçula fazia faculdade. Odontologia. Ia ser dentista. Doutora. A Dorinha. O seu xodó. O seu orgulho. Atravessou a praça e saiu na Av. Ipiranga. Claudomiro era um homem honesto. Nunca, em toda a sua vida, tinha olhado para outra mulher. Nunca pegou um prego do Seu Artur sem autorização. E todo dia, as cinco da manhã, Claudomiro já estava de pé para cumprir com as suas obrigações. Claudomiro atravessou a Praça Roosevelt e saiu na Rua Augusta. Agora era só procurar o número. 326. Bagdá, era o nome do lugar. Andou uma quadra e parou. 326. Bagdá. Era ali. Seu coração disparou e sua boca secou. Ficando só um gosto amargo. "Então isso é um puteiro?" pensou. Sentiu vontade de desistir. Mas não podia. Um homem na porta, disse. "Se tá procurando diversão, já achou. Só tem menina linda. Pode entrar. O drink é por nossa conta" Claudomiro entrou. Era um lugar grande. Meio escuro. Musica alta e muita fumaça. Muitas mesas. As mulheres andavam só com a roupa de baixo. Ele ficou parado. Sem saber o que fazer. Uma mulher se aproximou. "Posso te ajudar?" demorou para falar. "Quero uma mulher" disse. Ela riu. "Então tá no lugar certo. Tem alguma preferencia?" disse ela. "Tenho. Quero uma bem nova. Dezoito anos. Uma amigo disse que tinha uma. A Shirlei" disse ele. "Ah, só podia. Essa menina tá fazendo um sucesso. Olha, o programa é 50 reais e mais 20 do quarto. Tudo bem? Se quiser fazer anal é mais trinta" disse ela. Ele perguntou "E ela faz?"  Ela "Ô, é a rainha do anal. a menina é uma fera! Vai querer? "Acho que não" disse ele. "É só me dar o dinheiro. O pagamento é adiantado." Claudomiro deu o dinheiro. "Pode me acompanhar" disse ela. Claudomiro seguiu a mulher. Saíram num corredor. Ela parou numa porta, deu uma batidinha e entrou. Depois de uns instantes saiu. "Olha, ela só está se arrumando. O senhor já pode entrar. Divirta-se!" Ele entrou. Era um quarto escuro. Uma luz azul. Havia uma cama de casal e um guarda roupa velho. Em cima da cama viu uma camisinha, um tubo de alguma coisa. Parecia pasta de dente. Um rolo de papel higiênico. Uma toalha de rosto branca e já meio encardida. Shirlei estava de costa para Claudomiro. Estava se arrumando no espelho. Vestia só uma calcinha vermelha. O cheiro era de desinfetante e perfume barato. "Cheiro de puta" pensou ele. "Só um instantinho que a gente vai se divertir a beça" disse a Shirlei. Nisso, Claudomiro falou "Filha" Shirlei demorou um pouco para se virar. Não podia acreditar no que acabava de ouvir. Estava estarrecida quando virou. Seus olhos arregalaram de espanto ao ver o pai. Ali, na sua frente. Com a roupa da missa. Na mão direita uma arma. Na outra um terço. Ela reconheceu o terço. Antes que desse tempo dela dizer qualquer coisa, Claudomiro atirou. Atirou com a magnun 357. Arma de alto impacto. Tinha pego escondido do seu Artur. Ele que nunca tinha pego um prego sem autorização. O primeiro tiro acertou o pescoço de Shirlei. Acertou na jugular. Ela ainda pôs a mão tentando parar o jorro de sangue. "Pai" disse ela. O segundo acertou o olho esquerdo, atravessando a cabeça. Seus miolos e parte do couro cabeludo grudaram na porta do guarda roupa barato. Ela caiu. Em cima da cama. De bruços. Seu Claudomiro ajeitou sua filha, a Dorinha. Na cama. Virou seu corpo. Pegou o terço que ela havia usado na primeira comunhão. Colocou em suas mãos. Cruzadas. Claudomiro deitou ao seu lado. Pôs a cabeça de sua filha no seu ombro. Encostou o cano da magnun no próprio ouvido. Atirou.

 

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 11h01
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Diálogos azulejados, molhados & ensaboados com Penélope

- O que você ta fazendo?
- Te ensaboando, meu amor.
- Aí?
- É... Algum problema?
- É que já faz uma meia hora.
- Quer que eu pare?
- Não! Não pára não.
- ...
- Tá entrando água no meu ouvido.
- ...
- Melhor desligar o chuveiro.
- Porque?
- Vai gastar muita água.
- E daí?
- E daí que a água do planeta tá acabando. Você não sabe?
- Nossa. Será que o Greenpeace vai invadir o banheiro?.
- Engraçadinho.
- Então fecha aí.
- Você pegou camisinha?
- Duas.
- Otimista, hem?
- Sou um cara de fé.
- E se a gente sentar aqui. Não é melhor?
- Hum... Isso tem cara que vai dar uma puta câimbra.
- É melhor a gente decidir. Daqui a pouco começam a bater na porta. A casa tá cheia e o povo tomou muita cerveja.
- E se a gente ficar de pé mesmo?
- Do jeito que eu estou, vai até de cabeça pra baixo.
- Já falei que você é muito gostosa?
- Acho que umas quinhentas vezes.
- Ah...
- Mas fala. Adoro ouvir!
- Gostosa...
- De novo. Baixinho. Aqui no ouvido.
- Gos... to... sa...
- O que você gosta mais em mim?
- Além da bunda?
- Além da bunda.
- Ah! Das coxas!
- Que mais?
- Essa eu falo no ouvido.
- Noooooossssa!
- Você que perguntou.
- Adorei.
- Ai.
- Que foi.
- O chão ta muito ensaboado. Escorreguei.
- Calma.
- Porra. Dá pra descolar uma distensão, aqui.
- Você é muito ansioso. Tem que ficar mais calmo. Relaxa...
- ...
- Eu gosto de você. Cada dia mais. Tá bom?
- Tá...
- Eu não vou fugir.
- Mesmo?
- Mesmo!
- Certeza?
- certeza.
- ...
- Que cara é essa?!
- Que cara?
- De perocupado.
- Posso te pedir uma coisa.
- Diga.
- Só por precaução...
- Hã...
- Posso te acorrentar?

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 13h44
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