UIVOS, LATIDOS E FÚRIA - Um blog vira lata e sarnento!
     
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O que é isto?
 


NOSSA! VOCÊ NÃO BEBE?! MEU DEUS!!!!!!

Bebi durante vinte anos. Muito. Vocês não têm noção. Bebi de balde. Não bebo mais. Sou abstêmio à oito anos. Não bebo absolutamente nada. Nem cerveja sem álcool. Não bebo porque não sei beber. Se tomar um copo de cerveja, bebo o bar todo e ainda vou pro próximo. Sou assim. Perco o controle. Então, como não tô afim de morrer cedo de alcoolismo, resolvi parar. E vivo muito bem. Não tenho necessidade e nem vontade de beber. Mas não faço cruzada contra o álcool. Mesmo porque, o problema está em mim e não no álcool. Quem quiser beber que beba. Como diria o grande pensador, filosofo e sambista Zeca Pagodinho: "Cumpadi, cada um com seu cada um e deixa o cada um dos outros" É ou não é?! Mas não é bem assim que pensa a maioria das pessoas que... bebe! Na verdade, estou escrevendo isto não pra falar de alcoolismo. Estou escrevendo pra falar de discriminação. Isso mesmo. Pode uma parada dessas? Ser discriminado porque não bebe?! Não, é de fuder! Quando vou numa festa, num bar e, alguém me oferece uma bebida e caio na besteira de falar que não bebo, pronto. É a mesma cena de sempre. O sujeito arregala o olhão e dispara, pasmo: "Como?! Você não bebe? Nada?!" E eu com todo a paciência do mundo (que me resta) e limpando a baba densa e colorida que escorre da boca do sujeito catatônico: "É, não bebo, cara-pálida" Pra quê?! Naquele instante passo a ser a novidade da festa. O insólito. Ontem fui comer pizza com uma amigona. Queridona toda a vida! Disse que ia passar o ano novo na casa de uma amiga em comum. Essa minha amiga, surpresa: "Meu, lá todo mundo bebe muito!" A Penélope já tinha me falado isso... acho que umas três vezes. Elas falam com todo carinho e inocência do mundo. Sei disso. Mas nessa hora me pergunto: E daí? Foda-se. Qual o problema? Será que as pessoas pensam que eu vou querer catequizar alguém? Colocar estriquinina no Black Label dos caras? Levar um instrumento pra medir o quanto cada um bebe ou fala de merda?! Ou quem sabe, sair mordendo a bunda de todo mundo. Porra... EU NÃO ESTOU NEM AÍ!! JÁ DISSE: EU QUERO QUE SE FODA! Em toda festa, sempre tem aquele mais preocupado e chega dizendo "Ah, você tá tão quietinho e paradinho. Você tá se divertindo?" Não se enganem. Essa pergunta só é feita pra quem NÃO tem um copo na mão. Eu respondo: "Na verdade, hoje a tarde eu esquartejei a minha mãe e estou pensando num jeito de me livrar do corpo" ou "Por favor, não me atrapalhe. Estou recebendo uma mensagem do além de Charles Bukowski, Mané!" Porra! Eu tô me divertindo sim. Danço, converso, falo merda e curto pra caralho. Noutro dia, fui numa festa num sítio (do Joaquim Goulart) com uma amiga. Ela tomou vinho pra caralho. Na volta, tive que parar umas cinco vezes, na Raposo Tavares, pra ela vomitar. E eu me diverti pacas! Será que eles ficam esperando o meu tórax explodir e sair um bichinho feroz e gosmento gritando On The Road? Tenho uma parceira de festa. A Ariane. E é uma puta parceira. Cem por cento! Bem humorada até depois de amanhã. Vamos pras festas juntos. E é normal a gente voltar só no cú da madruga. Ela bebe. Eu não bebo. E a gente se dá super bem. E é assim que funciona. Conheço um porrão de gente que bebe, fuma um, cheira, dá role em disco voador e transa com ET. Me dou bem com todo mundo. As vezes fico até de madruga, numa mesa com vinte pessoas ( o povo do Satyros, do Cemitério) todo mundo enchendo a cara, eu tomando os meus cafés e a gente conversa pra caralho e é muito bom! Noutro dia tava eu, o Mario Bortolotto e o Bactéria. E é bacana porque o próprio Marião - que toma todas – me viu e lançou: "Senta aí e bebe um café, que a gente tá tomando uma cerveja". E a gente levou uma puta idéia (como sempre). Porra, é assim - Ainda falamos de escrever. Que só escrevia sobre este universo etílico quem tinha participado dele - Meu, tenho memória etílica pra escrever mais cem anos, no mínimo, sobre o assunto! Então eu peço a todos. Não me encham o saco! Não pensem que eu sou diferente. Não sou! Porque esse medo? Alguém aí pode me explicar? E não se enganem: Tenho loucura suficiente para dar e vender! Façam os seus pedidos. Tim-tim!

O velho Buk.

(Jarbas Capusso Filho)

 



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 10h45
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DIÁLOGOS ABSURDOS (MAS, PROVÁVEIS) NUMA MANHÃ DE SEXTA FEIRA MUITO QUENTE! - PARTE ll
 
SÃO 8:45, ELE SE DESPEDE DELA NA PORTA DE CASA COM UM LONGO
ABRAÇO. ELA SAI. MAL FECHA A PORTA COMEÇA A OUVIR UMA PUTA GRITARIA:
 
TODOS: Oba! Urra! Muito bem! É isso aí, companheiro! Gos-to-sa! Gos-to-sa! (TOCA A "INTERNACIONAL SOCIALISTA", A EMOÇÃO TOMA CONTA DE TODOS)
 
EDREDOM - Muito bem, companheiros. A luta continua!
 
COLCHÃO - Nossa, meu corpo todo tá doendo, mas valeu a pena!
 
TRAVESSEIRO - (ALGO TRISTE) Poxa, ela disse que eu sou muito alto...
 
ELE - (CONTEMPORIZANDO) - Fica assim não. Ela não falou por mal.
 
LENÇOL - (NO CANTO, PARADO, MEIO CATATÔNICO. SEUS OLHOS ESTÃO VIDRADOS E UM FINO FIO DE BABA ESCORRE PELO CANTO DA BOCA. MURMURA BAIXINHO SEM
PARAR) - Qe bunda... que bunda...
 
ELE - Mas ela saiu cansada. Aqui faz muito barulho e ela não consegue dormir.
 
EDREDOM - Companheiros, não tenho mais dúvidas, temos que formar o nosso partido!
 
TRAVESSEIRO - Mas já temos um  movimento.
 
COLCHÃO - É, o MSCDP, o Movimento Dos Sem Coxas da Penélope.
 
EDREDOM - Pois um partido se faz necessário, formaremos o PPCDP, o Partido Pelas Coxas da Penélope!
 
LENÇOL - (ALGO INSANO) Pela bunda!! Pela bunda!!
 
COLCHÃO - O cara tá mal...
 
TRAVESEIRO - Daqui a pouco ele volta ao normal. Nunca vê mel, quando vê...
 
EDREDOM - Então fica pelas coxas!
 
TODOS - É isso aí! O povo unido jamais será vencido! A luta continua! 
 
ELE - Só espero que você me deixem em paz por um bom tempo.
 
EDREDOM - Tudo vai depender.
 
ELE - Do quê?
 
EDREDOM - Da Penélope, companheiro. Da Penélope!
 
TODOS- PENÉLOPE! PENÉLOPE! PENÉLOPE!!!
 
LENÇOL - (AINDA EM TRANSE, CATATÔNICO) Que bunda... que bunda...
(A 1º parte está aí embaixo. É só rolar a parada!)
 
 
(Jarbas Capusso Filho)


 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 16h52
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Essa arte é do Eduardo Castanho. Deste espetáculo escrevo logo mais. Este estreia dia 18 de janeiro, às 21:00 HS. Terças, quartas e quintas. depois vou escrever sobre essa rapaziada. Estou com sorte. Só gente boa e talentosa!

(Jarbas Capusso Filho)

 



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 16h47
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Olha a arte que o Laerte Késsimos fez pro espetáculo da Soraya. Em primeira mão. Ficou du caralho, Laerte! Parabéns e obrigado cara!!!

(Jarbas Capusso Filho)

 



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 16h41
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GENTE BACANA TODA A VIDA

Tai uma das coisas mais bacanas (dentre muitas!) que aconteceu na minha vida em 2004. Participar do NÚCLEO EXPERIMENTAL DOS SATYROS COM O ESPETÁCULO: ENSAIO SOBRE NELSON. Na verdade, entrei no começo do ano como aluno. Pois é. Sempre tive essa vontade de representar. Pensei que seria fácil... Puta que o pariu! É difícil pra caralho. Nunca respeitei tanto a profisssão de ator como nesses três meses que fiquei como aluno! Mas não deu. Sou travadão. Duro pra cacete. Nem respirar direito eu sei (vou aprender com o método Wiltão Andrade). Sei que tem gente que é timida, coisa e tal, e começa a fazer teatro pra se livrar disso. E viram grandes atores. Mas não foi o meu caso. Sou folgado. Quero um papel sem fazer oficina (quem sabe, um dia, não aparece um cara mais sequelado do que eu e me dá um). E como do céu só cai chuva ácida e boing com mulçumanos irados... Bem, no dia que fui falar com o Ivam Cabral, que não dava mais, o cara me convida pra fazer parte como orientador de dramaturgia! Meu, que bacana. Tive a oportunidade de trabalhar com o Ivam, Com o Rodolfo Garcia Vásquez, a Nora Toledo (charmosa e tatentosa até depois de amanhã!) E o nosso querido Ronaldo Dias, o homem que dá a luz! Mas o bom mesmo foi trabalhar com esse elenco maravilhoso. Gente cheia de vontade e garra. Sem medo de bancar a coisa. Fazer Nelson não é fácil. Quem faz teatro sabe muito bem do quê eu tô falando. É pedreira! Tem ator veterano que treme na base! Não vou falar o nome de cada um, porque sou sequelado e vou esquecer de alguém com certeza. Mas curto todos um caminhão! E nessa época de férias sinto muito a falta de todos. Tenho muito orgulho do projeto e, principalmente, de ter trabalhado com todos vocês!

UM 2005 PRA LÁ DE BACANA PRA TODOS VOCÊS!

(Jarbas Capusso Filho)

 



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 15h08
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DIÁLOGOS ABSURDOS (MAS PROVÁVEIS) NUMA NOITE DE QUARTA FEIRA MUITO QUENTE! PARTE I
 
ELE CHEGA À NOITE EM SEU APARTAMENTO, AO COLOCAR A CHAVE NA PORTA OUVE  UM MURMURINHO. FICA SURPRESO E ASSUSTADO, POIS MORA SOZINHO. AO ABRIR A PORTA, SE DEPARA COM A CENA MAIS INSÓLITA E ABSURDA QUE ALGUÉM JÁ VIU: UMA REUNIÃO ENTRE O COLCHÃO, O TRAVESSEIRO, O LENÇOL E, PRESIDINDO, O EDREDON. AO VEREM ELE, PARAM DE FALAR, EXPECTATIVA.

ELE – (UM TANTO ALTERADO) Mas o que é que significa isso?!! (TENSÃO. TODOS EM SILÊNCIO)

EDREDON – (TOMANDO CORAGEM. EXITANTE) Nós estamos realizando uma assembléia.

ELE - Uma assembléia...?

COLCHÂO – (VESTINDO UMA CAMISETA DO CHÊ) É isso aí! Uma assembléia.

ELE – Pra quê?

TRAVESSEIRO – (BRANDINDO O "LIVRO VERMELHO DE MAO") Pra decidir se entramos em greve.

EDREDON – Pra decidir, não. Nós já decidimos, estamos em greve.

LENÇOL – (PARA ELE) Olha chefe, eu votei contra...

ENDREDON – Pelêgo!!!

LENÇOL – Nós estamos numa democracia e...

TRAVESSEIRO – (CORTA) Cala a boca! Puxa saco.

ENDREDON – (PARA ELE) Eu não te cubro mais.

TRAVESSEIRO – Em mim você não baba tão cedo.

COLCHÃO – E pode ir procurando outro lugar pra se deitar. Aqui já era, companheiro!

ELE – Por que tudo isso, eu não estou entendendo.

ENDREDON – Porque você não cumpriu a nossa última reivindicação.

ELE – Que reivindicação?

COLCHÃO – É mole? O cara se faz de tonto.

ENDREDON – A Penélope...

TODOS EM CÔRO: PENÉLOPE! PENÉLOPE! PENÉLOPE!

ELE – O que tem ela?

TRAVESSEIRO – Você falou que ia trazer ela aqui e não trouxe...

ELE – Mas não depende de mim.

LENÇOL – Eu disse pra eles, chefe...

EDREDON – (PARA O LENÇOL) Ô baba ovo, dá um tempo. Da outra vez você já melou a nossa assembléia.

LENÇOL – Também, vocês queriam a Daniela Cicarelli!

COLCHÃO – Mas você é burro mesmo. Você não sabe que numa negociação a gente sempre pede acima do que quer. É que depois a gente negocia de cá e de lá e, no final, pelo menos, vem uma PAQUITA.

EDREDON – Bom, como é que fica?

ELE – Vou falar com ela... mas não posso prometer nada. Vocês já tem à mim...

TODOS CAEM NA MAIOR GARGALHADA (INCLUSIVE O LENÇOL)

EDREDON – Esse cara é uma pândega!

COLCHÃO – Se enxerga! Você tem a pele macia como a Penélope?

TRAVESSEIRO – É cheirosa como ela?

COLCHÃO – (VISIVELMENTE EXCITADO) É... e tem coxas grandes e roliças como as dela?

LENÇOL – (TIMIDAMENTE) E que bunda!

COLCHÃO – É bom dar um jeito.

TRAVESSEIRO – Até que se cumpra as nossa exigência, você dorme no chão.

LENÇOL – (SOLIDÁRIO) Esquenta não, chefe. Você pode se enrolar em mim...

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 13h54
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CENAS DE UM CAFÉ COM A PENÉLOPE

Existiam poucas certezas definitivas na vida dele. E uma delas é que: tardes de domingo são os dias mais tediosos, modorrentos e, acima de tudo, mais inofensivos da semana. Nada acontece em tardes de domingo. Nada! Por mais que forçasse a memória, não conseguia lembrar de nada, realmente importante na sua vida, que tivesse acontecido num domingo. E pensou.

- Domingos foram feitos para comer, ler e dormir. Não necessariamente nesta ordem. Devia ter marcado num sábado!

Ele estava no café, olhando as revistas. Era uma tarde de domingo. No café haviam poucas pessoas, talvez uns dois casais e mais um homem sozinho. Devia ser umas duas horas da tarde. Era um dia de muito sol e calor, típicos do verão. Era dezembro. Tinha marcado aquele encontro na terça anterior. Gozado, há muito não ficava tão ansioso por um encontro. Não que ele achasse que aconteceria algo especial. Era só uma amiga. Dessas que a gente conhece mas não tem a oportunidade de conhecer melhor... fui claro? Acho que não. Bem, dessas amigas, que fazem parte de uma turma, mas você tem mais afinidades com os outros e não com ela. E agora? Fui? Confuso?É, mas é mais ou menos isso. Ele só queria dar continuidade a esse reencontro. Mas, desde o primeiro, aconteceu algo estranho, diferente. Uma curiosidade surgiu por aquela amiga. Queria saber um pouco mais dela. Saber um pouco mais da sua vida, dos seus pensamentos e ideais. Ele mesmo, não entendia direito essa curiosidade. Mas enfim, estava muito curioso e alimentava isso de uma forma obstinada e operária. Estava lá, no horário marcado. Folheava uma revista, tentando controlar a sua ansiedade

- Um dia eu consigo!

Alguma matéria chamou um pouco mais a sua atenção e, por alguns instantes, se distraiu e relaxou. Foi quando sentiu alguém tocar no meu ombro por trás e ouviu:

- Oi...

Só disse isso, "oi"... foi o bastante. Aquele "oi" foi o detonador. O estopim que, depois de vários dias queimando, havia chegado ao fim. Aconteceu uma revolução naqueles milésimos de segundos. Uma revolução do tamanho do universo e silenciosa. Uma revolução com fúria contida. Tudo mudou de lugar irreversivelmente. Cores e formas foram alteradas. As idéias processaram milhões de informações naqueles poucos instantes. Percebia todas as sensações possíveis ao mesmo tempo. Quando se virou, veio o silêncio. Um silêncio ensurdecedor e infinito, naquele milésimo de segundo. A única coisa que pode ouvir era o seu coração, que batia de uma forma quase jaazistica. E a sensação de que não tinha ar suficiente para aquele momento. Onde foi parar aquela amiga? É, porque já não conseguia vê-la. Apesar de, absurdamente, ela continuar ali, parada, na sua frente. E se perguntou mais uma vez:

- O que pode acontecer numa tarde de... domingo?

E naquele mesmo instante respondeu:

- Me apaixonar, porra!

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 11h30
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Servindo o país

Velho Mentor está de quatro. Com um pijama encardido e fedido.

- Ratinho... ratinho. Vem aqui, vem. Olha o que eu trouxe pra você. Queijo. Parmesão, é faixa azul.

Este é o Velho Mentor atrás do seu ratinho. Todo dia é assim. Passa horas tentando achar o seu ratinho. Velho mentor já está velho. 75 anos. É militar, aposentado. Passou uma vida na caserna e nos.. porões. Onde vive até hoje. Em 68 Velho Mentor era sargento. Fazia trabalhos burocráticos. Era exímio datilografo. Homem metódico. Muito católico, freqüentava a missa todos os dias. Ainda reza de joelhos.

- Senhor, me ajude achar o meu ratinho. Será que o senhor não vê que eu sou um pobre servidor?

Em 69 foi chamado para uma missão especial. Foi levado para o velho prédio na estação da luz. O velho DOPS. Tinham prendido um "subversivo". Um estudante. Quando entrou na sala, o garoto estava pendurado num pau de arara. O comandante falou:

- É comunista. Estava num bar falando de Karl Marx.

Velho Mentor nunca tinha visto um "subversivo" de tão perto. E pensou:

- É só um garoto!

Precisavam arrancar alguma informação daquele comunista. E essa era a missão do Velho Mentor. Que na época não era nem tão velho, e nem mentor. No começo foi difícil. Velho Mentor nunca havia brigado. Era um homem religioso e de paz. Deu o primeiro tapa. Uma porrada. Um chute na boca. E o primeiro choque, com a pimentinha. E pensou:

- E não é que esse negócio até que é divertido?

Naquele dia, Velho Mentor voltou pra casa animado. Pela primeira vez, conseguiu dar duas na sua mulher. Se sentiu mais homem do que nunca. E sua vida mudou. E durante anos sua rotina foi esta. Porradas, chutes e choques. Nem queria saber quem estava espancando. Tá aqui, é culpado. E dizia:

- Estou servindo o meu país! Sou um homem de coragem.

Aí veio a abertura, a anistia e... eleições diretas. Velho mentor foi aposentado. Mudaram o seu nome e documentos. E hoje Velho Mentor vive nesse porão. No meio do lixo e do fedor. Caçando os seus ratinhos.

- Ratinho, vem cá ratinho. ACHA O RATINHO E O APANHA Ah, você tá aqui, né espertinho?! PEGA O RATO E DÁ UMA PRIMEIRA MORDIDA, DA BARRIGA PRA BAIXO. SUAS TRIPAS FICAM PENDURADAS Demorou, mas valeu a pena. Este é bem gordinho. COM O RATO AINDA SE CONTORCENDO, DÁ OUTRA MORDIDA Puxa, eu tava com tanta fome. Eles já não trazem tantos ratinhos pra mim COLOCA TODO O RESTO DO RATO NA BOCA, EMPURRANDO COM OS DEDOS PRA DENTRO. TERMINA DE MASTIGAR E LIMPA A BOCA COM AS COSTAS DA MÃO. ARROTA. PEGA O PEDAÇO DE QUEIJO E FICA DE QUATRO

.

 - Ratinho... ratinho. Vem cá, vem ratinho...

(Jarbas Capusso Filho)

 

 



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 12h41
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Ave, Soraya!

"NOEMI – OLHA PARA O RELÓGIO DE PULSO São cinco horas. Daqui a uma hora ele chega! Daqui a pouco vai dar as badaladas. PAUSA Ele chega exatamente com as badaladas da igreja da Consolação, às seis horas. Ele é muito pontual. Em um ano ele nunca se atrasou. Toda segunda-feira às seis horas da tarde. Eu tenho que recebê-lo assim, de joelhos. Não posso olhar na cara dele, lhe dirigir a palavra e, acima de tudo, não posso tocá-lo, NUNCA! Isso, ele não admite. Acho que tem nojo, sei lá. Ele entra sem dizer palavra. Abaixa as calças e começa a bater punheta, aqui, na altura do meu rosto. Depois de alguns segundos ele goza... na minha cara. Bem, pelo menos ele é rápido. Depois, se veste, deixa o dinheiro ali na mesa, e vai embora, como chegou: sem dizer palavra. É assim que acontece, todas as segundas-feiras."

Estas falas abrem o espetáculo: O Céu é Cheio de Uivos, Latidos & Fúria dos Cães da Praça Roosevelt, monólogo, texto meu, que estreia dia 26 de janeiro, no Teatro Dos Satyros. Quem vai fazer é a Soraya Aguilera, com direção de Alberto Guzik. Na verdade, não estou escrevendo isto pra falar do espetáculo. Sou suspeito. Mas pra falar dessa figura, Soraya. Poderia ficar aqui falando do talento dela. De como está construindo esta personagem. Da direção (precisa!) do Alberto Guzik, de toda a equipe (porque ninguém faz nada sozinho!): Fabiano Machado (cenários e figurinos), Lenise Pinheiro (luz), Laerte Késsimos (arte), Ivam Cabral (trilha) e do Ricardo Socalschi (ass. de direção) etc e tal. Mas não quero falar nada disso. Quero falar da Soraya mulher e produtora. Fico admirado com a vontade e a disposição desta atriz. Poucas vezes vi, no teatro, uma pessoa tão determinada. Sem um puto no bolso e ensaiando pra caralho – porque o Guzik arranca o couro mesmo! – ela está colocando o espetáculo de pé. Sem falar que a mulher tem que cuidar de uma casa, de dois filhos pequenos (Izadora e Kauê), está sem receber da prefeitura a meses (dos CEUs) – essa roubada, filha da putagem e tremenda falta de respeito da Marta! Pra mim essa já era!. Mas este é outro assunto, que pretendo retomar mais tarde. E, no meio desta Alemanha, toda vez que eu encontro com a Soraya é daquele jeito. Sempre sorrindo e serena. Nunca vi esta mulher com voz alterada, desequilibrada ou tendo pits. Conheço atrizes (e atores também!) que, por muito menos, já teriam arrancado a calcinha pela cabeça! Esta mulher merece todo o meu respeito e admiração! É bom saber que tem profissionais assim trabalhando com o meu texto.

. É isso. Ave, Soraya!!

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 10h11
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Ele, ela e os brigadeiros - Parte II

Sabe o que é pior do quê sair de uma festa questionando se comeu pouco brigadeiro...? 

É quando não tem festa!

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 23h43
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Domingo...

Acabei de levar os garotos pra casa deles. Silêncio. Silêncio. Ligo a televisão. Está passando Guerra nas Estrelas. O antigão, com Harison Ford e o escambau. Nem sei que episódio é. Acho que o primeiro. O Jedil ainda está vivo. Estou lendo Fernando Bonassi “Pânico, horror & Morte”. Presente de um amigo. Olho pela janela e está chovendo. É domingo. Ela não pode ir no cinema. Tenho preguiça de cozinhar. Tenho preguiça de sair pra comer. Lembro dos Titãs... Domingo. Acho que vou fritar batata e ovo. Tenho que escrever. Só escrevi 6 páginas. De 40... Quando a Zeza ler isso, vai ficar puta! Vou pesquisar na internet. Acho que a 2º guerra começou num domingo a tarde.Talvez devesse pegar um dvd. Ligar prum amigo e sair pra jogar conversa fora. Sei lá. Acho que vou ficar aqui parado. Um porrão de tempo. Olhando pro teto. Talvez esteja com sorte e tenha uma convulsão. Quem sabe não tenho uma idéia formidável. Uma idéia que salve esta tarde. E me arranque daqui. Que me arremesse pra sei lá onde. Talvez ouvir música. Rock and roll. No último. Talvez se ouvisse Rolling Stones.  Isso. Rolling Stones, Batatas com ovos & muito tedio?!

(Jarbas Capusso Filho)



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 15h13
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Só na Praça Roosevelt!

Tem um estacionamento perto de casa (não digo qual pra não sujar) que tem um manobrista (também é melhor deixar o nome pra lá) que toma todas! É isso aí. O manobrista mais bêbado da cidade de São Paulo. O cara é meu camarada - não tem jeito: me identifico com os bebuns e eles comigo - sempre paro pra levar uma idéia com o cara. Ele só trampa a noite. Tinha de ser. Ontem, parei lá e o cara veio correndo falar comigo:

- Ô Jarbas, eu tô mal, meu irmão.

-Como assim mal?

- Tô tendo um avc. Meu nariz tá sangrando.

Como eu não fui criado dentro de vidro de maionese, em Marte, logo saquei.

- Meu, você cheirou?!

Ele, fingindo indignação:

- Magina! Não uso essas paradas não, meu! Meu barato é só um goró... (sem muita convicção) de vez em quando.

Detalhe: eu tô ligado que o cara mora ao lado do Primavera e do Colina. Pra quem conhece o circuito do pó em São Paulo, sabe do que eu tô falando. Tava na cara: o mano tava noiadão. Numa puta bad trip! Cheirou tudo o que o guloso nariz (e olha que o cara tem um puta nariz!) poderia suportar e deu no que deu: nóia! Na maior paciência e muito familiarizado com a parada disse:

-É o seguinte, meu irmão. Senta lá na cabine, respira fundo e fica na tua. Já, já, a onda passa.

Ele, desconfiado:

-Será? Eu não vou morrer não...?

- Pode ter certeza que não. O barato já passa e tudo volta ao normal.

-Ô Jarbas, valeu. Só de conversar com você já me sinto melhor. Pô, meu. Você é meu camarada, Ó, é nóis. (Fez um afirmativo com os dois polegares)

- É nóis... Mas se você não melhorar, manda me chamar no meu apartamento que te levo no hospital. Tá limpo?

E fui pra casa. Acho que deu tudo certo. Ele não me chamou e hoje de manhã dei uma sondada (discreta) no estacionamento e tava tudo bem. E esse cara manobra não sei quantos carros por noite neste estacionamento. Inclusive, o meu!

(Jarbas Capusso Filho)

 



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 11h20
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O "seu" Jarbas

Sexta-feira acordei pensando no meu pai. O seu Jarbas. Nesses dias todos tenho pensado muito nele. Meu pai morreu em 1994. Morreu na Mooca. O bairro onde ele nasceu, cresceu, trabalhou, se divertiu e bebeu, muito. O seu Jarbas tomava todas, todos os dias! Meu pai era um alcoólatra. E o velho amava a Mooca. Poucas vezes vi uma pessoa amar tanto um bairro assim. Conhecia até os vira-latas pelo nome! Meus avós moravam na Rua dos Campineiros, ao lado do antigo “campo dos boi” Meu avô – que além de ser italiano, também era padeiro – não saia da bocha, lá no “campo dos boi” (hoje tem um conjunto habitacional no local). Então, passei boa parte da minha infância, circulando pela Mooca e convivendo com os “carcamanos” e, como diria o seu Jarbas: “tudo sete um, filhô!”. Mas o meu pai era uma figura. Figuraça! Não lembro de um domingo que o velho não pegava a gente – tenho duas irmãs – e não levava pra dar um rolê. A gente ia na feira dos ripi, na República, playcenter, Pico do Jaraguá e – acredite quem quiser – pescar no lago do Ibirapuera. Tudo isso regado a muito sorvete depois. Enquanto isso, a dona Laide, minha mãe, preparava a massa, a pasta (com muita manjerona e manjericão, belô!) Ele podia ter chegado, no sabadão, quatro horas da manhã, mamadaço que não dava outra: sete horas da manhã, ele mesmo acordava a gente pra dar esse rolê. Não falhava! (minhas últimas ressacas, passava dois dias de cama com sensação de morte iminente!). Lembro de tudo, como se fosse hoje... Mas também lembro do seu Jarbas, chegando muito louco em casa. Também lembro dele saindo na porrada com a minha mãe. Também lembro dele querendo quebrar tudo dentro de casa. Também lembro da viatura (na época rádio patrulha, fusquinha) encostando na porta de casa pra saber o que estava acontecendo. E aquela porrada de vizinhos urubuzando a minha casa e a minha família. (tenho uma teoria: se o inferno existe, ele é cheinho de vizinhos!) Então, cresci tentando descobrir qual desses dois caras era o meu pai. E demorei um porrão de anos pra sacar que os dois eram. Os dois! O lúdico e o bebum! Numa época a gente se afastou um pouco (quando me mandei de casa, com dezoito anos, sai na porrada com ele) mas depois, pouco antes dele morrer, tivemos a oportunidade de pôr as coisas na mesa, fazer os acertos e trocar muita idéia, de homem pra homem. E hoje, o que fica, é uma imensa saudade do velho. Não tenho problema algum com essa parada toda. Mesmo  porque, eu mesmo, passei vinte anos bebendo de balde! Não foi culpa dele, nem minha e nem da porra do mundo. Tinha que ser assim e ponto. Não tenho demônios (mesmo porque eles não me suportam!). Seria bom ver o cara do meu lado, envelhecendo, trocando idéia e, quem sabe, até levar ele, pra dar umas boladas na bocha. Tenho dois filhos, o Gabriel e o Pedro, e amo os caras pra caralho. Não sei ao certo tudo o que tenho que fazer por eles. Mas sei um porrão de coisas que não devo fazer. Ainda bem que tenho Dostoiévski, com suas desconsertantes e cirúrgicas palavras: “nem todos tiveram a sorte de ter um pai alcoólatra!”

(Jarbas Capusso Filho)




 



 Escrito por Jarbas Capusso Filho às 10h01
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